quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

"Todas as gerações buscaram vantagens"



Foto: Graham Watson
Em sua primeira declaração após a confissão de doping para a apresentadora Oprah Winfrey, Lance Armstrong, antigo detentor de sete títulos do Tour de France, disse, ao site "cyclingnews", ter sido usado como bode expiatório em um esporte onde os atletas há anos procuram vantagens. E pediu para a Wada (Agência Antidoping Mundial) uma Comissão de reconciliação ressaltando que a UCI não deveria fazer parte disso.

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"Sim, eu acho que sou (bode expiatório). Mas eu entendo o porque. Nós fazemos a cama em que deitamos", explicou Lance usando um ditado popular.

"Minha geração não foi diferente de nenhuma outra. A 'ajuda' se desenvolveu ao longo dos anos mas a verdade é que nosso esporte é muito duro, e todos sempre buscaram levar vantagem. De pegar carona nos trens, 100 anos atrás, ao atual EPO. Nenhuma geração foi exemplo ou 'limpa'. Nem a de Merckx, Hinault, LeMond, Coppi, Gimondi, Indurain, Anquetil, Bartali e nem a minha".

E perguntado se o ciclismo está se aproximando a um 'estado de caos', Lance disse que o esporte nunca vai morrer, mas vai diminuir.

"O ciclismo nunca vai morrer, mas vai encolher. Os patrocinadores vão abandonar, corridas serão canceladas. Isso nós já estamos vendo. Esse estado de caos ainda deve perdurar por uma década. O que é uma pena para as atuais revelações do esporte".

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O norte-americano disse ainda não se importar com uma possível redução da pena após uma confissão para a Wada (Agência Mundial Antidoping).

"Isso é irrelevante. O importante é todos serem tratados de forma igual e justa. Nós todos cometemos erros, vamos todos corrigí-los e ser punidos de maneira igual".

Para finalizar, ele pede uma "Comissão de Reconciliação e Verdade", a ser dirigida pela Wada, como solução. "Eu diria que, se você está vivo e subiu ao pódio em um Campeonato Mundial ou Grande Volta você deveria ser chamado. Soa ambicioso, mas as autoridades mostraram que nada relacionado ao ciclismo sofre com a barreira do tempo".

"Não é a melhor forma. É a única forma. Apesar de eu estar no olho do furacão, isto não é sobre um homem, uma equipe, um diretor de time. Isso é sobre o ciclismo e, honestamente, todos os esportes de resistência. Linchar publicamente uma pessoa e seu time não irá solucionar o problema", finalizou.


Fonte: prologo

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